O “novo normal” e a transformação das empresas e da sociedade

  • 10 de junho de 2021

 

Por Marcelo Lorencin

Já se passou mais de um ano desde o início da pandemia e isolamento social. E, pelos fatos e acontecimentos,  incluindo as diferentes velocidades de imunização em todo mundo, viveremos assim por mais um tempo. No entanto, já é possível perceber que a ciência venceu. Agora é uma questão de tempo para que a vida volte à normalidade.

Ou não? Ao longo desses 14 meses, muito tem se falado do “novo normal” e como será a vida após pandemia. Diversos “gurus” e “early adopters” arriscam  inclusive algumas possibilidades para este novo normal: viagens de negócios fadadas ao fim, escritórios sendo devolvidos, home office como o “modo operante” em definitivo e por aí vai.

Mas oras, se estamos construindo este novo normal ainda, não seria prematuro apostar em como de fato as empresas e a sociedade estarão no mundo pós pandêmico?

A primeira análise que faço é que estas predições no mínimo têm grandes chances de estarem erradas e, por isto, cabe a nós líderes sermos cautelosos nos movimentos empresariais para que , no futuro, estejamos preservados e não percamos nossa essência e o que nos distingue.

É fato que a mobilidade, conveniência, flexibilização, aproximação de casa e trabalho fará sim parte deste novo normal que está em construção. Mas, assumir, por exemplo, que uma determinada forma predominará é no mínimo, incoerente com o que nos trouxe até aqui, com a essência humana (que também está em transformação) e com os fatos.

Vejamos: no âmbito empresarial a célebre frase de Peter Drucker, “a cultura come a estratégia no café da manhã” sempre foi (e ainda é) levada muito a sério pelas organizações.  Tanto que perceptivelmente empresas bem sucedidas têm investido muito na preservação e evolução da cultura organizacional. Em contraponto, as corporações que crescem rápido ou que estão dispersas geograficamente sempre foram objeto de estudos por escolas de negócio visto os nítidos fracassos de performance e continuidade de negócios, frente a falta de uma cultura coesa.

E indo mais a fundo, como fomentar e manter esta cultura se só conheço meu líder através de conexões digitais? Como criar espaços para criação, interação e troca, que tanto fez e faz parte dos ecossistemas dentro e fora das organizações?

Estes e outros questionamentos talvez possam ser os motivadores de grandes corporações, inclusive de tecnologia, como Google, Microsoft, Amazon e as demais que estão em vias de iniciarem a construção de um modelo híbrido.  Aliás, gosto da frase de Carolyn Everson, vice-presidente global de vendas do Facebook, “estamos inventando à medida que avançamos”. E sim, na minha opinião,  este deveria ter sido o espírito desde o princípio, ou seja, antes de ter saído preconizando uma transformação tão radical.

Não podemos esquecer que o ser humano é relacional. Vários estudos mostram que o nível de felicidade das pessoas, bem como sua saúde e longevidade,  estão intimamente atrelados a quantidade de relações humanas, amigos e viagens. E para onde foi tudo isto? Infelizmente, observamos um aumento de violência, depressão, obesidade e tantas outras sequelas que teremos que lidar por muito tempo em nossas empresas e famílias.

Por um outro lado, o isolamento social tem provocado muitas reflexões nas pessoas. Um movimento recente nos Estados Unidos, chamado YOLO (you only live once) –  em português “você vive somente uma vez” e que deriva de um termo emprestado de uma música escrita há mais de anos –  tem promovido em muitos executivos e profissionais mudanças significativas na maneira de viver e ver a vida. Muitos deles têm aberto mão de salários altos em empresas corporativas e para trabalharem em empresas menores. Ou até mesmo decidiram empreender e estão começando um novo negócio, com menor renda, porém maior propósito e conexão. E, especialmente, maior tempo dedicado à família, amigos e qualquer outra coisa que lhe possa trazer felicidade.

A tecnologia tem auxiliado as empresas a manter seus negócios e conectar pessoas e time e, sem dúvida, essa transformação está em forte movimento. E agora temos a oportunidade de unir os dois mundos.

Já existe um anseio global por isso, o que significa, ter a vida de volta, tal como era antes, mas incorporando todas as coisas boas que aprendemos e conquistamos durante a pandemia. É o caso, por exemplo, da necessidade de centrar cada vez mais na vida, ter flexibilidade e um propósito maior em tudo que fazemos.

Portanto, vamos juntos construir este novo normal e aprender com tudo isto, sem levantar uma bandeira única. Afinal, isto seria ter a rigidez da qual há tanto tempo temos tentado escapar e, sem falar, que continuaríamos sem um grande propósito, que é o cerne das famílias e das empresas de sucesso.


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