Como a tecnologia fará a diferença na medicina diagnóstica em 2023?

  • 22 de março de 2023

 

O setor de medicina diagnóstica tem passado por mudanças importantes e por muitos desafios. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Google, o mercado global da saúde deve chegar a US$10 trilhões até 2025. No Brasil, estamos falando de algo em torno de R$1,5 trilhão até 2023.

Porém, o cenário é marcado não só pela elevação da inflação médica, como por uma forte pressão por redução de custos, criando antagonismo entre o valor que se agrega e o preço pago pelo serviço.

Em meio a uma busca incessante por eficiência operacional, qualidade e oportunidade de novos negócios, é preciso lidar com o crescimento e o envelhecimento da população, o que, embora abra espaço e empodere a prevenção, é catalisador importante para um incremento nos custos.

“Segundo especialistas, são exatamente os gastos elevados com doenças crônicas, em especial no sistema público, que atuam como motivadores para que mudanças ocorram. Além disso, o foco está em oferecer atendimentos mais rápidos, eficazes e precisos aos pacientes. A mudança passa pela transformação de um modelo reativo, baseado em doenças, para um proativo, com foco na prevenção”, comenta o diretor de Produtos da Shift, Adriano Basques.

Outro ponto importante é a mudança da mentalidade das pessoas, que ocorre em uma velocidade muito maior do que aquelas que acontecem nas empresas de saúde. Por isso, acelerar a  transformação digital nos serviços do setor é algo extremamente necessário, em especial para atender a esse novo perfil de paciente, que deseja cada vez mais participar e melhorar a experiência da sua jornada.

Quais caminhos devem ser seguidos quando falamos especificamente em medicina diagnóstica? Como a tecnologia pode ajudar a trilhar melhores jornadas, prover melhores resultados e experiências, de forma rápida e sem grandes impactos de custo?

Transformar para atender a um novo perfil de consumidor

Em um período de até cinco anos, muitos dispositivos de saúde móvel estarão funcionando a serviço da chamada medicina 4P: preditiva, personalizada, preventiva e participativa, que visa não apenas predizer doenças, mas também prevenir patologias, mudança no estilo de vida e o uso correto dos medicamentos para cada perfil.

O intuito é, ainda, tornar o paciente mais participativo, fazendo-o interagir com o médico e tornando esta relação mais humanizada. O uso do conhecimento adquirido por meio desse abrangente leque de informações sobre si fortalece o cuidado com a própria saúde.

“Ao mesmo tempo, estamos falando de um consumidor muito mais informado, exigente com as interfaces dos sistemas que usam, aderente à tecnologia, buscando personalização da experiência e formas de interagir digitalmente com todos os serviços que consome – incluindo a saúde, obviamente”, compartilha Adriano.

O que deve ser considerado quando falamos de tendências?

Embora institutos de pesquisa afirmem que, em 2023, entregar tecnologia não será suficiente, sendo necessário que elas também sejam pensadas de maneira sustentável, a inovação tem papel importante de diferentes formas.

Confiança, gerenciamento de riscos e segurança são aspectos que deverão estar no radar, assim como a ciência de dados e a análise preditiva.

Além disso, vemos o avanço da utilização de ferramentas de inteligência artificial, apoiando o diagnóstico clínico e condutas com foco na prevenção de doenças com base no histórico de registros de saúde.

Aliás, em um setor bastante fragmentado, como o da saúde, o uso de dados, considerado o novo petróleo, tem conquistado espaço. Seja para acompanhamento de rotina, seja para tendência dos resultados, controle da qualidade ou indicadores de produtividade, existe uma crescente consciência da capacidade dessas informações gerarem valor, melhorarem a eficiência do atendimento, da operação e trazerem mais efetividade, além de velocidade para a  tomada de decisão em diversas instâncias. Do ponto de vista do diagnóstico, a análise de dados permite extrair informações preditivas, orientando as decisões clínicas e abordagem terapêutica.

Redução do tempo de retorno (TAT), aumento da produtividade, redução de custos e possibilidade de direcionar o foco em atividades com maior valor agregado também estão entre os ganhos.

“É fato que a evolução da tecnologia rompe barreiras do tempo e do espaço e a miniaturização dos dispositivos atuará cada vez mais para melhorar a efetividade dos tratamentos  das mais variadas doenças, criando interações tão amigáveis quanto aquelas que já existem hoje na área de bem-estar.” Adriano Basques, Diretor de Produtos da Shift.

Por outro lado, se temos os dados como fonte de informação, haverá pressão por integrações. Com isso, existe a necessidade das plataformas estarem cada vez mais preparadas para isso.

Ademais, com o advento do digital health, conceito que engloba os testes digitais ligados ao monitoramento e à prevenção, as informações geradas e consolidadas em uma única plataforma, criam oportunidades para os centros de medicina diagnóstica.

Tudo o que modifica a experiência do paciente deve ser considerado na transformação digital

A meta deve ser sempre tratar cada cidadão com base em suas especificidades e torná-lo, ao mesmo tempo, o maior protagonista de sua própria saúde.

Por conta de todas essas mudanças, a transformação digital ainda deve agregar soluções capazes de modificar e aprimorar a experiência do paciente ao longo de sua jornada.

Através de APIs, há oportunidade da integração de diversos canais de comunicação (SMS, WhatsApp, redes sociais, chatbot, entre outros), trazendo informações a respeito dos exames, atendimento, etc., fortalecendo e estreitando esse relacionamento e otimizando o tempo de todos os envolvidos.

Funcionalidades de autoatendimento permitem que agendamentos, confirmação de presença, check-in, acompanhamento dos exames e de resultados, sejam feitos pelo próprio paciente online. Já é real.

Um novo olhar e uma nova forma de atuar

Isso tudo exige, no que lhe concerne, uma mudança na forma de atuação dos players do setor. O que antes era descentralizado – análises clínicas, imagens, anatomia patológica e biologia molecular, com profissionais e tecnologias específicas, são oferecidos em um único local.

Com as forças da pressão por custos e  a jornada do paciente muito mais embasada na prevenção, a tendência natural é a junção dos diferentes atores e a formação de centros de medicina diagnóstica.

A criação desses centros de alta resolubilidade e a formação de praticamente uma comunidade médica multidisciplinar, viabiliza maior interação entre os profissionais da saúde que gera laudos e suporte por meio de diagnósticos integrados, beneficiando diretamente os pacientes.

Além dessa consolidação crescente dos serviços em centros mais completos, é também notável a tendência de que os horizontes da medicina diagnóstica sejam expandidos para a casa do paciente, cama do Hospital, clínicas, entre outros. Isso inclui o point-of-care testing (PoCT) ou Teste Laboratorial Remoto (TLR).

Estes procedimentos são realizados por profissionais legalmente habilitados, não necessariamente vinculados a um laboratório com o intuito de encurtar o TAT para a tomada de uma conduta médica. Inicialmente utilizados estrategicamente pelos laboratórios no contexto hospitalar e áreas remotas, esses testes já estão há algum tempo no mercado, mas os avanços tecnológicos e, sobretudo, a pandemia, deram maior visibilidade a eles.

Os testes de biologia molecular, com baixa complexidade de operação e confiabilidade nos resultados, são exemplos bastante categóricos dessa expansão extramuros das instituições.

Outra importante característica é o uso de dispositivos, especialmente para o monitoramento e acompanhamento de pacientes, já que o foco em prevenção sobressai-se de maneira bastante intensa. “É preciso considerar também a movimentação do setor, com novos negócios sendo agregados – imunização, marketplace, telemedicina – e novos players surgindo”, lembra Adriano.

Os desenvolvedores de tecnologias como grande aliados

Em suma, as oportunidades e necessidades de mudanças são inúmeras, especialmente pelo fato de que tudo isso está acontecendo muito rápido, tornando ainda mais complexo encaixar esses movimentos em uma linha do tempo com os mundos VUCA e BANI.

Cabe às empresas a criação de tecnologias para apoiar a sustentação dos clientes, a evolução do mercado, o crescimento e até a longevidade do negócio, como estamos fazendo na Shift.

“A visão da área de produtos é proporcionar aos clientes ferramentas de gestão para a tomada de decisões, através do Shift B.I, com dashboards que fornecem informações gerenciais e que ajudam a garantir a sustentabilidade do negócio e a melhorar a segurança do paciente”, conclui Adriano.

Além disso, atuamos cada vez mais como uma plataforma de tecnologia para medicina diagnóstica, com soluções que apoiam os novos modelos integrados.

Esse será o papel crucial da inovação no setor e o que ajudará de fato a fazer a diferença.


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