É necessário repensar em como usar a tecnologia para oferecer um cuidado individualizado ao paciente

Os centros de diagnósticos desempenham um papel essencial na jornada de cuidado de cada paciente. Não se trata apenas de proximidade, mas de agregar valor à experiência do usuário, resultando em desfechos positivos.

Isso é o que chamamos de governança clínica, um sistema através do qual as organizações são responsáveis por melhorar continuamente a qualidade dos seus serviços, garantindo elevados padrões de atendimento e criando um ambiente de excelência de cuidados clínicos voltados a todas as partes interessadas.

Nesse processo, é fundamental entender que a massificação é um erro. Quando simplesmente apertamos um botão de forma automatizada, deixamos de olhar para o indivíduo. A tecnologia deve ser uma ferramenta que permite escalar nossos esforços para atender cada paciente de forma única.

Chegou o momento de repensar em como usar a tecnologia da informação para atingir esse nível.

Cuidados baseados em valor

A qualidade dos cuidados, a segurança do paciente e o combate ao desperdício são responsabilidades compartilhadas por todos os envolvidos no processo de saúde, incluindo médicos, comunidade, compradores, prestadores de serviço e profissionais de laboratório.

Todos eles devem estar integrados e focando o desfecho clínico através de uma abordagem centrada em value based care, ou seja, em cuidados baseados em valor.

Vale lembrar que a transparência é uma exigência crescente dos pacientes e familiares, tanto com relação ao seu cuidado, quanto a todas as partes envolvidas neste processo como o laboratório e o seu convênio. Eles desejam saber o que está acontecendo, desde o diagnóstico até o tratamento. Portanto, é essencial cultivar um olhar humanizado e contar com o apoio de ferramentas que permitam fortalecer essas relações.

Cabe aos centros de diagnósticos laboratoriais repensarem a forma como atuam. É preciso entregar segurança, desfecho e sustentabilidade, gerando valor com alta qualidade e resultados a um custo possível.

Transformação digital

Com o empoderamento crescente dos pacientes, tornou-se evidente que eles desejam ser protagonistas de suas próprias jornadas de cuidado. Isso requer uma transformação na mentalidade das pessoas e a necessidade de adaptar os negócios para atender a essa demanda.

Também cabe aos médicos adotarem uma abordagem colaborativa, envolvendo os pacientes nas decisões sobre seu tratamento. Os laboratórios, por sua vez, precisam avaliar a maturidade de suas plataformas e investir em tecnologia que agreguem valor à empresa e aos pacientes.

E vale lembrar: a pandemia acelerou a adoção de ferramentas digitais na área de saúde. Quando muitas pessoas precisavam de cuidado e havia limitações de recursos, surgiram apps de rastreio de contatos, checagem de sintomas, avaliação de risco, serviços de informações, diagnóstico presuntivo e apoio ao diagnóstico, por exemplo.

A tecnologia veio nos apoiar para tomarmos a melhor decisão para o paciente, mas é importante lembrar que é necessário um ser humano para ler e desenvolver essas soluções baseadas em experiências reais.

Nesse cenário, os laboratórios devem estar próximos dos pacientes, oferecer mobilidade e adotar tecnologias que facilitem a conectividade e integração de dados – e a escolha de uma plataforma digital adequada desempenha um papel fundamental nesse processo.

A plataforma de dados ideal deve oferecer

  • Workflow inteligente (automação associada a inteligência)
  • Predição de comportamentos e demandas dos clientes
  • Eficiência operacional e redução de custos
  • Predição de capacidade operacional
  • Alertas
  • Mitigação de riscos
  • Geração de relatórios e business analytics

Os dados devem ser de fácil acesso, interoperáveis e reutilizáveis sempre.

Governança na prática

A governança no processo de marcação e realização de exames de diagnóstico começa antes mesmo do paciente dirigir-se até uma unidade de atendimento – e os centros de diagnósticos podem considerar estratégias digitais para aprimorar sua presença e explorar oportunidades de evolução tecnológica. Se o paciente precisa ter mobilidade para ter acesso ao procedimento, o laboratório deve estar ciente e colaborar para uma jornada de sucesso. Além disso, a governança também está associada aos fabricantes: qual a metodologia utilizada? E a calibração, está em dia? Todos os elos precisam se envolver.

Quando avançamos para a fase pré-analítica, a tecnologia desempenha um papel fundamental ao auxiliar na chegada do paciente e na personalização do atendimento. Uma possibilidade é o uso de chatbots para melhorar a comunicação com os pacientes que gostam de se relacionar digitalmente.

Na fase da triagem, a telemedicina ganha relevância para se aproximar do paciente, pois permite quebrar as primeiras barreiras. A tecnologia também pode estar presente na integração dos processos durante a coleta, oferecendo segurança, além de permitir a interação entre profissionais de saúde por meio da teleconsultoria, o que é essencial para discutir casos em conjunto.

A plataforma tecnológica utilizada pelo centro de diagnóstico precisa considerar todos esses pontos mencionados, trazendo rastreabilidade a cada etapa do processo para garantir o sucesso da jornada do paciente, pois é essa rastreabilidade que vai assegurar a troca eficiente de informações. Em resumo, isso é governança: o exame certo, para o paciente certo e no momento mais oportuno para ele.

Também existem diversas aplicações nas quais a inteligência artificial pode ser utilizada para fornecer apoio e insights valiosos. A redução de custos e a minimização das interferências do dia a dia na gestão são outros dois aspectos fundamentais a serem olhados. É fundamental direcionar a gestão da qualidade analítica com foco no gerenciamento de riscos, individualizando-a conforme as ameaças associadas.

Quando se fala na fase pós-analítica, o laudo precisa ser mais intuitivo tanto para o médico quanto para o paciente, facilitando a compreensão da jornada médica. Isso implica em gerar informações precisas e verídicas, apresentando dados de forma dinâmica por meio de gráficos. Neste estágio, é essencial ter os seguintes cuidados: transformar dados em resultados de maneira eficaz, utilizar terminologia apropriada, aplicar algoritmos para a avaliação de resultados sequenciais (RCV), identificar resultados críticos e notificar casos de doenças relevantes, criar representações gráficas esclarecedoras e empregar a inteligência artificial como suporte às atividades médicas, integrando os laudos.

É fundamental buscar a tecnologia sempre visando aprimorar os desfechos na saúde, respeitando o tempo adequado e garantindo um custo sustentável. A educação continuada desempenha um papel crucial nesse processo, pois capacita os profissionais e promove uma cultura organizacional alinhada com as melhores práticas. Sem fomentar essa cultura entre os colaboradores da instituição não há mudança.

Para oferecer valor e desfechos positivos, os centros de diagnósticos devem adotar uma abordagem centrada no paciente, investir em tecnologia de forma inteligente, promover a governança e a cultura de educação e treinamento contínuos. Somente assim poderemos garantir que eles continuem a desempenhar um papel vital na promoção da saúde e no bem-estar dos pacientes e suas famílias.


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